Inserida no programa da Feira Nacional de Agricultura - Feira do Ribatejo, a decorrer no CNEMA, em Santarém, e organizada pela CAP - Confederação dos Agricultores de Portugal e pela Federação Minha Terra, realizou-se na tarde do dia 9 de junho a conferência “O Papel do LEADER no Desenvolvimento Rural e no Futuro da Política Agrícola Comum”, com cerca de 300 pessoas inscritas e mais de 250 participantes.
As boas-vindas estiveram a cargo de Álvaro Mendonça e Sousa, presidente da CAP e de Jorge Rodrigues, presidente da Federação Minha Terra. O presidente da CAP destacou que "ao longo destas décadas, o LEADER demonstrou que os territórios rurais possuem capacidade para construir o seu próprio futuro quando lhes são dadas ferramentas, recursos e autonomia para definirem as suas prioridades". Já Jorge Rodrigues salientou a importância do LEADER para uma "Europa mais equilibrada, mais próxima e mais justa", o que apenas é possível se as comunidades locais tiverem um LEADER que permita um "desenvolvimento local assente na construção participada, concreta e transformadora".
José Manuel Fernandes, Ministro da Agricultura e Mar deixou uma mensagem de felicitações aos Grupos de Ação Local pelos 35 anos do programa LEADER, referindo o seu papel em fazer chegar aos territórios “investimento que realmente interessa”.
Rui Veríssimo Baptista, ex-chefe de projeto do programa LEADER+ fez o histórico do LEADER, a partir de uma analogia com as fases de desenvolvimento de uma empresa: fundação, crescimento, consolidação, sucessão e renovação ou declínio. Sobre esta última fase referiu a importância da inovação e da mudança, enquanto garantes da continuidade e da relevância da abordagem.
Seguiu-se a apresentação de três projetos simbólicos apoiados pelo LEADER. Teresa Pouzada apresentou o “Aldeias de Portugal”, projeto de valorização da genuinidade de um conjunto de aldeias, apoiado pela medida da Cooperação LEADER. Rodrigo Farinha, da Propriedade do Camelo, em Abrantes, deu a conhecer o seu percurso na agricultura, possibilitado pelo GAL TAGUS. Já João Palmeiro, da Fundação Nossa Senhora da Esperança, em Castelo de Vide, apresentou o Museu da Tiflologia, um espaço apoiado pela ADER-AL, dedicado ao estudo multidisciplinar da cegueira e da deficiência visual.
O painel de debate “O enquadramento do LEADER no futuro da Política Agrícola Comum”, moderado por José Diogo Albuquerque, do Agroportal, contou com a participação de Nuno Maciel, Secretário Regional da Agricultura e Pescas da Madeira, Susana Barradas, do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP), Maria José Murciano Sánchez, vice-presidente da ELARD e Paulo Nacimento Cabral, deputado ao Parlamento Europeu. O mote da conversa foi dado pela representante da ELARD, que apresentou a proposta da organização, que representa os Grupos de Ação Local a nível europeu, de reforço do LEADER no próximo quadro de programação, com a consignação de 30% das verbas do Objetivo Rural, que consiste na atribuição de 10% dos recursos não alocados dos Planos de Parceria Nacionais e Regionais "às necessidades e desafios específicos das áreas rurais da Europa". O eurodeputado Paulo Nascimento Cabral referiu que para Portugal esses 10% deverão corresponder a cerca de 2,4 mil milhões de euros. Já Nuno Maciel destacou a preocupação gerada pela proposta inicial da Comissão Europeia para o desenvolvimento rural, aquém das expetativas, referindo a importância desta política para as regiões ultraperiféricas, como a Madeira. Susana Barradas fez um ponto de situação das negociações do futuro quadro em Portugal, referindo que este é o momento para que as partes interessadas se pronunciem e se envolvam no processo de construção das políticas.
O painel foi unânime em reconhecer a importância do LEADER, assim como do seu reforço em termos estratégicos e de financiamento no Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034.
Antes da sessão de encerramento, presidida por João Moura, Secretário de Estado da Agricultura, realizou-se um momento simbólico de homenagem aos 19 GAL que assinalam 35 anos de atividade. A ADRACES esteve entre as entidades homenageadas, tendo também intervindo José da Mota Alves, presidente da ATAHCA, um dos Grupos de Ação Local reconhecidos, que fez um balanço das três décadas e meia de trabalho desenvolvidas.
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